Fitness Ver Fitness Em Portugal estamos a produzir azeite de excelência para outros venderem dentro das suas garrafas. É a lei do mercado a funcionar

Em Portugal estamos a produzir azeite de excelência para outros venderem dentro das suas garrafas. É a lei do mercado a funcionar

São olivais a perder de vista. Exércitos de oliveiras alinhadas, reflexo direto do regadio de Alqueva, que trouxe novos modos de fazer agricultura no baixo Alentejo. Daqui saem azeites virgem extra topo de gama a granel, que são embalados e vendidos como italianos ou espanhóis. Um dos problemas do sector, a braços com o desafio da mão-de-obra e das alterações climáticas.

“Em Portugal estamos a produzir azeite de excelência para outros venderem dentro das suas garrafas. É a lei do mercado a funcionar”

Daqui a dois meses o gigante adormecido que é o lagar da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos vai espreguiçar-se. A campanha da azeitona deverá começar no início de outubro, duas semanas antes do que no ano anterior. Nessa altura começam a chegar as “roulottes” com a azeitona dos olivais chamados modernos (intensivos e superintensivos). Meses depois, assomam as azeitonas dos olivais tradicionais, as variedades autóctones cordovil e verdeal. Até fevereiro, o trânsito em Moura faz-se de camiões para entregar azeitona.

“A previsão da campanha é que comece mais cedo. A azeitona está mais adiantada. A partir do fim de agosto, vamos começar a fazer controlos de maturação no campo e aí temos uma previsão já mais certa sobre a abertura do lagar. No ano passado abrimos em meados de outubro. Este ano, possivelmente iremos antecipar uma ou duas semanas”, antevê José Duarte, presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), que junta quatro mil associados, dos quais 1300 são olivicultores.

Aqui, a campanha começa em outubro e deverá prolongar-se até fevereiro graças à “particularidade” das variedades produzidas pelos olivicultores da cooperativa em 20 mil hectares, onde ainda predomina o olival tradicional, de sequeiro, que representa cerca de 65% da produção. É destas azeitonas que se faz o azeite: na cooperativa não se compra ou vende azeitona a terceiros.

As primeiras a chegar são as azeitonas das variedades arbequina, arbusana ou cobrançosa, vindas dos olivais mais modernos, em que a colheita é mais precoce. “Chega também a nossa galega, que tem de ser apanhada mais cedo porque é muito suscetível à gafa e ao olho de pavão”, duas doenças do olival, explica José Duarte. “Depois, temos as nossas variedades autóctones, as variedades da nossa DOP, nomeadamente a cordovil e principalmente a verdeal, que têm de ser apanhadas já mais tardiamente, de dezembro a janeiro. Quando são campanhas grandes, prolongam-se até meados de fevereiro”, conta.

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